Os problemas de aprendizagem referem-se às
situações difíceis enfrentadas pela criança normal e pela criança com um
desvio do quadro normal mas com expectativa de aprendizagem a longo prazo
(alunos multirrepetentes).
Segundo J.Paz, “podemos considerar o problema de
aprendizagem como um sintoma, no sentido de que o não-aprender não configura
um quadro permanente. mas ingressa numa constelação
peculiar de comportamentos, nos quais se destaca como sinal de descompensação”.
Pela intensidade com que se apresentam os sintomas
e comportamentos infantis, pela duração que eles têm na vida escolar e pela
participação do lar e da escola nos processos problemáticos, fica difícil
para o professor diferenciar um distúrbio de um problema de aprendizagem.
Além disso, os autores que se dedicam a esse
assunto usam os termos problema e distúrbio de maneira indiscriminada.
Portanto, estabelecer claramente os limites que
separam “problemas” de aprendizagem dos chamados “distúrbios” de aprendizagem
é uma tarefa muito complicada, que fica a critério do especialista da área em
que a deficiência se apresenta.
Ao educador cabe apenas detectar
as dificuldades de aprendizagem que aparecem em sua sala de aula, que abranja os aspectos orgânicos, neurológicos, mentais,
psicológicos adicionados à problemática ambiental em que a criança vive. Essa
postura facilita o encaminhamento da criança a um especialista que, ao tratar
da deficiência, tem condições de orientar o professor a lidar com aluno em
salas normais ou, se considerar necessário, de indicar sua transferência para
salas especiais. J.Paz, citado por Sara Pain, em
Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem, p.28.
1.1 - FATORES QUE DESENCADEIAM
PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM.
Existem inúmeros fatores que podem desencadear um
problema ou distúrbio de aprendizagem. São considerados fundamentais:
Fatores orgânicos
- saúde física deficiente, falta de integridade neurológica (sistema
nervoso doentio), alimentação inadequada etc.
Fatores psicológicos
- inibição, fantasia* , ansiedade, angústia, inadequação à realidade,
sentimento generalizado de rejeição etc.
Fatores
ambientais - o tipo de educação familiar, o graus
de estimulação que a criança recebeu desde os primeiros dias de vida, a
influência dos meios de comunicação etc.
O quadro a seguir, de Correll
e Shcwarz, relaciona as formas de distúrbios que
podem ocorrer no processo de aprendizagem, de acordo com vários aspectos.
1.Distúrbios de aprendizagem condicionados pela escola:
a) os condicionados pelo professor;
b) os condicionados pela relação professor-aluno;
c) os condicionados pela relação entre os alunos;
d) os condicionados pelos métodos didáticos.
2.
Distúrbio de aprendizagem condicionados pela situação
familiar.
3.
Distúrbios de aprendizagem condicionados por característica da personalidade
da criança.
4.
Distúrbios de aprendizagem condicionados por dificuldades de educação.
A proposta do sistema educacional brasileiro é dar,
para cada criança, a oportunidade de aprender tanto quanto sua capacidade de
permitir.
No entanto, os alunos que apresentam distúrbios ou
problemas de aprendizagem (considerados como um grupo significativo), não tem essa oportunidade. Eles não conseguem acompanhar o
currículo estabelecido pelas escolas e, porque fracassam, são classificados
como retardados mentais, emocionalmente perturbados ou simplesmente rotulados
como alunos fracos e multirrepetentes. São crianças
que precisam de um atendimento especializado e o sistema educacional
brasileiro não tem lugar para elas.
Muitas dessas crianças poderiam ser educadas
próximas à sua residência, através de um atendimento gratuito, se fossem
instaladas escolas regionais, com pessoal especializado e um currículo
coerente com esse sistema especial.
Quanto aos distúrbios provocados pela própria
escola e pelos professores, instalar um setor de orientação educacional,
psicológica e pedagógica nas escolas ou para um grupo de escolas seria de
grande ajuda. Os professores seriam orientados na adequação do programa, na
elaboração de métodos a serem aplicados e na forma ideal de atender as
crianças que apresentam problemas de aprendizagem.
A educação especial, porém, ainda é uma utopia na
realidade brasileira. Somente as classes sociais mais abastadas conseguem
educar adequadamente uma criança com dificuldades de aprendizagem. Na escola
pública, o professor deve contar com seus próprios conhecimentos e, ao
detectar qualquer distúrbio, solicitar ajuda da família do aluno para que,
juntos, possam ajudar a criança a superar suas dificuldades.
As escolas regulares, seguindo orientação inclusiva, constituem os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, criando comunidades abertas e solidárias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos.
“As escolas devem ajustar-se a todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, sociais, lingüísticas ou outras. Neste conceito devem incluir-se crianças com deficiências ou superdotadas, crianças de rua ou crianças que trabalham, crianças de populações imigradas ou nômades, crianças de minorias lingüísticas, étnicas ou culturais e crianças de áreas ou grupos desfavorecidos ou marginais”
Declaração de Salamanca, UNESCO, 1994
É de inclusão que se vive
á vida. É assim que os homens aprendem, em comunhão. O homem se define pela
capacidade e qualidade das trocas que estabelece e isso não seria diferente com
os portadores de necessidades educacionais especiais. (FREIRE, 1996)
O Papel do Educador na Inclusão Social
A inclusão surge no cenário educacional como uma nova perspectiva que envolve rever concepções a respeito da educação, do ensinar e do aprender. Com ela emergem vários questionamentos sobre o que fazer e como fazer. Em meio a isso, o professor, é levado a questionar-se sobre os saberes necessários para trabalhar com crianças com necessidades educacionais especiais, considerando que não dispôs de formação para tal.
Por conta disso, aprender a trabalhar com a inclusão é um desafio para os docentes e para a Escola de modo geral, que necessitam criar meios para aprender a trabalhar com perspectiva. Assim, o professor, cuja função é ensinar, tem também a necessidade de aprender.
Aprender é adquirir conhecimentos, construir saberes que são ferramentas para desenvolver seu trabalho. O professor vai aprendendo a ensinar enfrentando cotidianamente diversas situações que lhe possibilitam construir tais ferramentas (TARDIF, 2002).
O sucesso do processo de aprendizagem depende do projeto de inclusão, com trabalho cooperativo entre o professor regular e o professor especializado que é o educador com especialização para atuar com crianças com necessidades educacionais especiais, na busca de estratégias de ensino, alternativas metodológicas, modificações, ajustes e adaptações na programação e atividades;
O plano de aula dos alunos portadores de NEE, são traçados em conjunto, visando duas etapas, a inclusiva e a de aprendizagem. E de acordo com o desenvolvimento individual ou da turma, a estratégia de ensino é ajustada para o alcance do objetivo inicial proposto.
A inclusão traz a voga à questão de que nós, professores não estamos prontos, formados, nos faz enxergar que sempre temos algo a aprender e que essa aprendizagem é diária e tem que fazer parte do nosso cotidiano.
Em todos os segmentos profissionais, a formação é um processo diário e para toda a vida. Na docência, este quadro não é diferente, o professor tem que focar a aprendizagem permanente, estruturar seus saberes e consolidar sua trajetória. Porque ela é permanente, se faz de diversas formas, e é adquirida em lugares distintos.
Segundo TARDIF (2002), essa concepção de formação que o professor traz remete à aquisição dos saberes a qual apresenta fontes de aquisição relacionadas à história de vida, à família, à escola, às instituições formadoras, aos materiais didáticos e à prática.
De acordo com essa tipologia os saberes dos professores possuem várias fontes de aquisição e diferentes modos de integração no trabalho docente.
Os saberes dos docentes que trabalham com a inclusão estão relacionados principalmente aos saberes pessoais e aos saberes provenientes de sua própria experiência, os quais tem origem na família, na educação no sentido lato, no ambiente de vida, na prática do ofício na escola e na sala de aula, bem como na experiência com os pares.
Assim, a aprendizagem da docência, bem como a construção dos saberes para trabalhar com aluno incluído pode se dar de diferentes formas. No entanto, alguns fatores se destacam na aprendizagem do professor em relação ao aluno incluído: a experiência de trabalho com tais alunos; o tempo, importante fator na evolução da forma de ensinar; e a relação que estabelecemos com outros colegas, como parte de um processo interativo e dinâmico. (DAL FORNO E OLIVEIRA, 2004)
Com a prática, validamos os saberes adquiridos. A experiência do dia a dia, mostra o melhor caminho para o sucesso do educador. E como a grande maioria dos professores não recebe a formação devida para tratar alunos com necessidades especiais, a prática na sala de aula, é quem ensina e indica a melhor forma de tratamento e adaptação da didática necessária.
Cada indivíduo pensa e age de forma distinta, ocorre o mesmo com os alunos oriundos da inclusão. Por esse aspecto, o professor deve olhar seus alunos, e buscar em cada um, sua real necessidade, seus desejos e seu tempo, adequando a metodologia de ensino e o tratamento.
Aprender a ensinar não é algo que nasce com o individuo, mas que vai sendo construído no decorrer de sua carreira. Para este autor a carreira é “um processo temporal marcado pela construção do saber profissional”. (TARDIF,2002)
Por este motivo, o profissional da área de educação, deve buscar alternativas para produzir o seu saber, o docente deve desenvolver a experiência educacional de ensinar e aprender através de práticas de ensino inclusivas.
A inclusão deve atingir todos os alunos dentro de uma classe e não somente os alunos portadores de necessidades especiais. A inclusão não difere, ela tem como foco o aluno e precisa atingir a todos, com o objetivo de desenvolvimento de aprendizagem para todos. Cabe ao professor, ser o facilitador desta inclusão, direcionando um novo olhar e ouvindo atentamente a cada um deles.
De acordo com Martins (2007), devido ao sistema de ensino, aos mecanismos de exclusão, hoje os professores saem da Universidade sem a técnica anteriormente aprendida no magistério, pois os cursos universitários formam apenas acadêmicos, não oferecendo sustentabilidade para enfrentar o sistema de ensino, principalmente das escolas públicas. Esta é a grande falência no sistema de formação do educador. Há uma distância muito grande entre o curso de magistério e o superior. O professor não sabe como agir e não tem fundamento para a prática, que inclui como planejar uma boa aula, os passos para isso, o que é fazer o registro de uma sala de aula e sua dinâmica. Hoje, o professor sai da universidade e não sabe o que fazer. E nem por onde começar. A professora Regina Martins, fala da educação para alunos classificados como “normal”, como então deve agir o educador que recebe na sua classe, alunos por inclusão, sem possuir a especialização necessária. O que fazer?
O professor, ao receber alunos portadores de necessidades especiais, terá que romper suas próprias barreiras, terá que trabalhar a tolerância, o medo do novo, o preconceito e a falta de formação necessária.
O papel do professor, também é aprender, e essa aprendizagem é constante, ele deverá identificar diferentes formas de pensar a sua profissão, deve enfrentar como parte de um movimento constante de busca . Nesse sentido, Freire (1996) diz que “a consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca”.
Esse movimento pode representar o que Pineau (1988), chama de autoformação, definindo-a como “a apropriação por cada um do seu próprio poder de formação”. Na autoformação , o professor assume a necessidade de aprender e se apropria do processo de formação.
Josso (1988) também coloca que, “O ser em formação só se torna sujeito no momento em que a sua intencionalidade é explicada no acto de aprender e em que é capaz de intervir no seu processo de aprendizagem e de formação para o favorecer e para o reorientar”.
Querer aprender, isto é o que fará a diferença para o educador que tramitar na esfera da educação especial, não ter medo do novo, incluir ao invés de excluir, atuar com sistema de aprendizagem contínua, observar o individual e não o macro, trocar com seus pares e aprender com colegas que se especializaram nessa cadeira, a experiência conta, mas a aprendizagem diária, a vivência, a postura autoformativa e explorar ao máximo as oportunidades oferecidas, fará desse educador, um educador também especial. A autoformação implica em busca, em investimento na própria aprendizagem e essa busca, assume sempre formas muito variadas.
Em 1841, William James West numa carta dramática ao editor do "The Lancet", apresentou o problema do seu filho com espasmos em flexão que se repetiam diariamente em ataques de 10 a 20 contrações que levaram a criança a um atraso mental, apesar de todos os tratamentos usados e possíveis para aquela época.
Esta síndrome neurológica foi descrita pela primeira vez em 1949 por Vasquez y Turner para sociedade Argentina de Pediatria, com dez casos de um "novo síndrome" que apresentavam crises nos lactantes, com alterações específicas no traçado eletroencefalográfico (EEG), estando associadas à deterioração mental, as quais propuseram chamar Epilepsia em Flexão.
Esta síndrome trata-se de uma entidade eletroclínica caracterizada por espasmos quase sempre em flexão e por um traçado EEG típico denominado hipsarritmia(Anormalidade electrencefalográfica representada por complexos espícula-onda lentos e de alta voltagem, multifocais, observada principalmente em crianças)ou disritmia maior lenta. As crises clínicas têm recebido outras denominações: espasmos saudatórios, espasmo infantil, massive jerks, Blitz und NichtKrampf, tic de salaam e pequeno mal propulsivo.
Etiologia
A Síndrome de West pode ser dividida em dois grupos, relativamente à causa: o criptogênio (quando a causa é desconhecida), onde o lactente é normal até os inícios dos espasmos, sem qualquer lesão cerebral detectável; e o grupo sintomático (de causa conhecida), onde há prévio desenvolvimento neuropsicomotor anormal, alterações ao exame neurológico e/ou lesões cerebrais identificadas por exames de imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética, etc). Em 1991, foi proposta a hipótese da existência de uma forma espontânea, com evolução benigna no tratamento a curto prazo.
Incidência
Inicia-se quase sempre no primeiro ano de vida, principalmente entre os 4 e 7 meses de idade. O sexo masculino é o mais afetado, na proporção de 2 para 1.
Quadro Clínico
A síndrome de West consiste num trio de sinais clínicos e eletroencefalográficos: atraso do desenvolvimento, espasmos infantis e traçados eletroencefalográficos com padrão de hipsarritmia. As crises são traduzidas por espasmos ou uma salva de espasmos com seguintes características flexão súbita da cabeça, com abdução dos membros superiores e flexão das pernas (espasmos mioclônico maciço) é comum a emissão de um grito por ocasião do espasmo. Cada crise dura em média alguns segundos. Às vezes as crises são representadas apenas por flexão da cabeça (tique de sabam ou "espasmo saudatório"). As crises são frequentes, podendo chegar até a centena ou mais por dia.
No princípio, o diagnóstico não é fácil, sendo os espasmos confundidos com cólicas. Outra manifestação importante é o atraso mental que, numa boa parte dos casos, pode ser evitado pelo tratamento precoce.
Tratamento
Alguns tratamentos úteis para pessoas com a Síndrome de West são:
· Intervenção Psicoterápica, Psicomotora, Psicopedagógica e Medicamentosa, dependendo do caso.
· Tratamento Medicamentoso através do ACTH (hormona Adrenocorticóide)
· Tratamento Fisioterápico
· Fonoaudiologia
· Psicopedagogia
. Psicomotricidade
Acredita-se que um indivíduo portador de síndrome de West venha se beneficiar de vários atendimentos, o que possibilitará que diferentes áreas do seu desenvolvimento sejam atendidas. Esta convicção busca sustentação em Turato (2003, p. 23) que afirma ser importante verificar como a abordagem do homem, em seus vários aspectos, pode e deve se complementar – dessa forma, os métodos, quaisquer que sejam, se fertilizarão uns nos outros.
Pode recorrer-se sempre à fisioterapia, à natação, ensino diferenciado, apoio individualizado, terapia da fala, estimulação global, terapia ocupacional, etc. Visando sempre o desenvolvimento global da criança/jovem e tentando sempre uma melhoria efectiva da sua qualidade de vida.
Para que isto aconteça, é necessário que pais, professores, médicos, restantes técnicos e comunidade em geral se envolvam e associem no sentido da discussão, intervenção e do conhecimento.
Fonte: Universo Autista e Pedro Santos
Entrevista com mãe de aluno com Síndrome de West
S.D.A. é mãe de Diogo, que tem 11 anos. Diogo tem Síndrome de West, diagnosticada nos primeiros meses de vida, tendo os médicos alertado que ele não iria caminha, falar, iria regredir. Com 8 anos ele ingressou numa Escola Especial, chamada Lucena Borges, na zona norte de Porto Alegre, onde permaneceu por três anos. Sua permanência na escola especial foi responsável pela socialização, aprendeu a ir a lugares públicos, pois antes não saía de casa e estranhava as pessoas que o visitavam, dificultando inclusive a socialização da família. Participava também de atividades de música, educação física e brincadeiras, teve grandes progressos. Nesse ano ingressou em uma escola regular, no primeiro ano do ensino fundamental, na Escola Nossa Senhora de Fátima, no Parque Santa Fé, zona norte de Porto Alegre. O ingresso na escola regular passou por uma fase de adaptação: Diogo passou a freqüentar uma escola regular duas vezes por semana e nos outros dias continuou freqüentando a escola especial pelo período de um ano. Ele não tem habilidade motora e não consegue escrever, pois tem o lado direito comprometido, mas tem grande habilidade com o computador. Em virtude disso, na sala de aula há um computador que é utilizado por Diogo, sendo que para não haver tanta diferença entre os colegas ficou convencionado que cada dia um colega senta com ele e utiliza o computador, o que vem funcionando bem. De acordo com a mãe, as outras crianças aceitam bem pois há um trabalho de preparação feito pela escola, mas todos buscam tratá-lo da forma mais normal possível. Ele tem dificuldades motoras e para acessar à sala de aula precisa subir dois lances de escada: ficou convencionado que ele deve subir sozinho, apenas com alguém acompanhando. Diogo não lê por sílaba, mas lê a palavra inteira e a sua avaliação deve levar em conta essas suas habilidades diferenciadas. A mãe do menino afirmou ser contra largar a criança diretamente em escola regular, referindo, contudo, que cada caso é um caso, sendo que na situação de Diogo o encaminhamento primeiro a uma escola especial e depois, passando por um período de adaptação, a uma escola regular, funcionou muito bem.
As crianças com altas habilidades apresentam uma variedade de características
tanto mentais como sociais, emocionais e físicas. Muitas são amistosas e
expansivas; algumas são tímidas e retraídas; a maioria é feliz e segura; umas
poucas são ansiosas ou deprimidas.
Nem todas as crianças com capacidade mental elevada são facilmente
identificadas.
Não é de se esperar que os pais conheçam a literatura que descreve crianças
inteligentes e suas necessidades. Além disso, normalmente a família está
acostumada ao nível de desempenho do seu filho deixam frequentemente de
reconhecer sintomas de inteligência elevada.
Tanto o conhecimento das
qualidades que indicam capacidade elevada, quanto a experiência de trabalho com
essas crianças, são imperativos para a identificação adequada. Mesmo o
julgamento experiente, necessita ser suplementado por dados objetivos através
de testes, entrevista com os pais, observação de desempenho, definindo assim um
processo de avaliação individual.
Quando estimuladas e em ambiente adequado, os alto habilidosos/
superdotados tem, entre outras características, probabilidade de evidenciar
comportamentos tais como:
• Aprender rápido e facilmente;
• Reter o que aprendem sem muito exercício;
• Demonstrar muita curiosidade e pensamento crítico;
• Ter vocabulários ricos, marcados pela originalidade de pensamento e de
expressão;
• Ter prazer em ler;
• Mostrar interesses por palavras e ideias novas;
• Ter a capacidade de generalizar, de perceber relações e de fazer associações;
• Examinar, tabular, classificar, coletar e conservar registros;
• Conhecer e apreciar coisas das quais outras crianças não se dão conta;
• Estar interessada pela natureza do homem e de seu universo em idade precoce;
Outras características "indesejadas" sob o ponto de vista do adulto,
pode muitas vezes obscurecer os sinais mais positivos de capacidade e
evidenciar fatores como:
-Inquietação, desatenção sendo importunas para os que as rodeiam, como muitas
crianças que tem necessidades não atendidas;
-Dificuldades na ortografia ou imprecisas em aritmética, porque são impacientes
com detalhes que requerem aprendizagem de cor ou treinamento;
-"Descuidadas" em completar ou entregar tarefas e indiferentes em
relação ao trabalho de classe, quando desinteressadas;
-Sinceramente críticas, tanto a respeito de si mesma como dos outros, uma
atitude que frequentemente afasta adultos e também crianças.
Características, tanto desejáveis quanto indesejáveis, podem indicar que uma
criança tem inteligência acima da média.
As informações procedentes proporcionam alguns exemplos de qualidades que
surgem em crianças superdotadas. Diferentes capacidades, interesses e maneiras
de comportamento são importantes de serem observados na identificação dessas
crianças.
A observação sistemática e a avaliação cuidadosa são importantes ações para que
crianças com altas habilidades/superdotação não sejam esquecidas e seu talento
desperdiçado.
Abaixo, segue vídeos
interessantes sobre crianças com altas habilidades:
Como trabalhar com alunos com altas habilidades
Trabalhar com
alunos com altas habilidades requer, antes de tudo, derrubar dois mitos.
Primeiro: esses
estudantes, também chamados de superdotados, não são gênios com capacidades
raras em tudo - só apresentam mais facilidade do que a maioria em determinadas
áreas. Segundo: o fato de eles terem raciocínio rápido não diminui o trabalho
do professor. Ao contrário, eles precisam de mais estímulo para manter o
interesse pela escola e desenvolver seu talento - se não, podem até se evadir.
Assim como os
estudantes diagnosticados com algum tipo de deficiência, os que têm altas
habilidades precisam de uma flexibilização da aula para que suas necessidades
particulares sejam atendidas, o que os coloca como parte do grupo que tem de
ser incluído na rede regular de ensino. "O que devemos oferecer a eles são
desafios", resume a presidente do Conselho Brasileiro de Superdotação,
Susana Graciela Pérez Barrera Pérez.
Os superdotados não são iguais e se dividem em vários
perfis
Especialistas ressaltam que nem sempre esses alunos são os mais comportados(leia
mais no quadro abaixo) e explicam que as altas habilidades são divididas
em seis grandes blocos:
-Capacidade Intelectual Geral
Crianças e
jovens assim têm grande rapidez no pensamento, compreensão e memória elevadas,
alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato, muita curiosidade
intelectual e um excepcional poder de observação.
- Aptidão Acadêmica Específica
Nesse caso, a diferença está em: concentração e
motivação por uma ou mais disciplinas, capacidade de produção acadêmica, alta
pontuação em testes e desempenho excepcional na escola.
- Pensamento Criativo
Aqui se destacam originalidade de pensamento,
imaginação, capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma
diferente e inovadora.
- Capacidade de Liderança
Alunos com sensibilidade interpessoal, atitude
cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de
persuasão e de influência no grupo.
- Talento Especial para Artes
Altö desempenho em artes plásticas, musicais,
dramáticas, literárias ou cênicas, facilidade para expressar ideias
visualmente, sensibilidade ao ritmo musical.
- Capacidade Psicomotora
A marca desses estudantes é o desempenho superior em
esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força,
resistência, controle e coordenação motora fina e grossa.
Trabalhando em sala de aula com as características típicas do superdotado 1-Perfeccionismo
Aluno: Busca pela excelência, seus atos têm sempreque obter
aprovação, nuncapode chegar em segundo lugar.
Professor:É necessário que essa característica seja respeitada, orientando a usá-la
de forma produtiva em sua vida.
2.Perceptividade
Aluno:Uma habilidade
de raciocínio excepcional faz com que o indivíduo seja mais perceptivo etenha
maisinsigths . São alunos que encontram novas formas de abordar um
problema e chegam a diferentes soluções.
Professor: É importante
ressaltar para estes alunos que os insights e respostas encontradas de
forma original devem ser colocados em prática, e não permanecerem meramente no
terreno das idéias.
3.Necessidade de Entender
Aluno:Observada pelos
pais na criança desde tenra idade, um comportamento investigativo, faz
perguntas perspicazes e penetrantes, e demonstra um comportamento persistente.
Professor: Essa natural curiosidade pode ser satisfeita em dinâmicas que levem o
aluno a se perceber como sujeitos experimentais em uma pesquisa que ele próprio
construiu.
4.Necessidade de Estimulação Mental
Aluno: necessita de estímulos mentais constantes. Professor: pode diferenciar o currículo para que estes alunos não percam o gosto pela
escola; pode utilizar recursos como aceleração de série, projetos
independentes, cursos avançados, oportunidades de enriquecimento escolar,
compactação de currículo e outras formas de acompanhamento para manter a
criança estimulada e desafiada em sala de aula.
5. Necessidade de Precisão e
Exatidão
Aluno: a habilidade de
perceber múltiplas relações entre idéias, objetos e percepções, assim como a
capacidade para argumentação tornam difícil o processo de tomada de decisão.
Professor:incentiva-lo a participar de atividades para o desenvolvimento de
habilidades sociais, e para a busca de saídas alternativas para esse tipo de
comportamento.
6. Senso de Humor
Aluno: os que possuem
um bom senso de humor também percebem absurdos e incongruências nas situações,
e por sua imaginação vívida, muitas vezes exageram os aspectos cômicos dos
eventos.Professor: humor tem aspectos terapêuticos que devem ser utilizados sempre que
possível para promover o relaxamento e a liberação de tensões, para a
facilitação social, na liberação da ansiedade, na auto-expressão, para
facilitar o desenvolvimento de insights e no auto-desenvolvimento na
direção da auto-realização.
7. Sensibilidade/Empatia
Aluno: os sentimentos de empatia e a sensibilidade aparecem de forma
independente; por exemplo, uma criança extremamente sensível à crítica, que se
sente magoada com facilidade, muitas vezes não tem consciência dos sentimentos
dos outros. Professor: pode trabalhar com atividades em grupos e
dinâmicas que vivenciem sentimentos do outro.
8. Intensidade
Aluno: paixão por
aprender é a maneira intensa com que a criança/jovem vai ao encalço de seus
interesses. Perguntas intermináveis, apreendendo uma grande quantidade de
material. Professor: é necessário que o ambiente de aprendizagem possa ser revisto e reformulado,
de forma a se tornar mais responsivo para o aluno.
9. Perseverança
Aluno: relaciona-se
com seu grande poder de concentração nas atividades que realmente prendam seu
interesse. Professor: é necessário que o professor dê apoio aos alunos para que mantenham suas
metas, encorajando-os quando se sentem frustrados ou chegam a um impasse no seu
progresso.
10. Autoconsciência
Aluno: são capazes de
separar as coisas na mente e ver todas as formas intrincadas pelas quais elas
poderiam ser melhoradas, incluindo a si mesmas. Professor: pode ajudar os alunos a apreciarem-se a si mesmos e a se conscientizarem
de que, muitas vezes, as escolhas que são feitas em determinadas ocasiões podem
ser a única escolha viável para aquela situação.
11. Não-Conformidade
Aluno: precisam de
oportunidades para a expressão criativa; quando essas avenidas de oportunidade
são bloqueadas, percebe-se um desvio para canais autodestrutivos. Professor: uma dinâmica interessante constitui-se em descobrir fator para ser
trabalhado em maior profundidade.
12. Questionamento da
Autoridade
Aluno: aprendem muito
cedo o significado da frase “isso não é justo”, um agudo senso de justiça
invariavelmente leva ao questionamento das regras e de figuras de autoridade. Professor: é interessante que o indivíduo raciocine sobre o conteúdo de sua
argumentação, levando em conta o ponto de vista do bem para a maioria, e não
apenas para a si mesmo. Indivíduos que precisam estar certos todo o tempo e
ganhar em suas argumentações têm, em geral, baixa auto-estima, o que precisa
ser trabalhado em conjunção com a família e a escola.
13. Introversão
Aluno: os
introvertidos freqüentemente aprendem por observação; sentem-se inconfortáveis
com mudanças; são leais a um pequeno grupo de amigos mais chegados; são capazes
de intensa concentração; detestam ser o centro das atenções; necessitam
privacidade; e sentem que suas energias são drenadas pelas pessoas.
Professor: é necessário aceitar a
introversão como algo normal, ao invés de tentar fazer o aluno se transformar
em um extrovertido, estas crianças/jovens não resolvem seus problemas por meio
da verbalização. Ao buscar ajuda os introvertidos se sentem melhor ouvindo conselhos
e opiniões do outro, para assim, em um momento posterior, trabalhar consigo
mesmo o que ouviu e processar esse conteúdo em suas divagações mentais “a partir do momento que o
professor identifica que aquela criança tem uma habilidade acima da
média, uma capacidade maior em uma determinada área, esse professor vai
trabalhar com a perspectiva do enriquecimento curricular. Ou seja, ele
vai oferecer possibilidades para que esse aluno desenvolva aquela
auto-habilidade. Oferecer mais material, oportunidades de pesquisa,
trabalhar com projetos de pesquisa na área de interesse específico do
aluno”.