O que é Psicose
A psicose é um estado anormal de funcionamento
psíquico. Pode se referir a qualquer distúrbio mental que tenha origem física
ou emocional. Sua característica é a perda de contato com a realidade.
Normalmente o
psicótico não percebe que perdeu por completo a noção do pensamento, percepção
ou julgamento. A psicose é denominada “loucura” ou comportamento de “louco”.
Uma crise típica de psicose se caracteriza por alguns ou todos esses sintomas: alucinações auditivas, visuais ou olfativas; sensações e desconfiança de estar sendo observado, provocado, gozado, comentado, controlado, perseguido, vigiado, traído; sensação de que o ambiente está estranho; agitação; confusão; agressividade; insônia; sensação de que os mais diversos fatos não são coincidência e sim que eles têm alguma coisa a ver com ela; pensamento bloqueado, interrompido; falta de higiene e desleixo com a aparência.
Uma crise típica de psicose se caracteriza por alguns ou todos esses sintomas: alucinações auditivas, visuais ou olfativas; sensações e desconfiança de estar sendo observado, provocado, gozado, comentado, controlado, perseguido, vigiado, traído; sensação de que o ambiente está estranho; agitação; confusão; agressividade; insônia; sensação de que os mais diversos fatos não são coincidência e sim que eles têm alguma coisa a ver com ela; pensamento bloqueado, interrompido; falta de higiene e desleixo com a aparência.
A psicose pode
ocorrer no decorrer de anos ou subitamente. A causa pode ser predisposição
genética, fatores exógenos orgânicos, porém desencadeados por fatores
ambientais, psicosociais, uma situação estressante, por exemplo, pode
desencadear uma psicose.
Patrícia Lopes
Equipe Brasil Escola
A PSICOSE NA INFÂNCIA E O
PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Sobre o desenvolvimento da criança psicótica, Kupfer (2000) afirma que, com
a eclosão de uma crise, cessa-se o desenvolvimento. Esta seria uma
característica básica que diferenciaria a psicose infantil da psicose no
adulto, segundo a autora. A interrupção no desenvolvimento por causa de uma
crise, seja temporária ou definitiva, causa danos à criança devido ao fato de
haver um tempo, estipulado biologicamente, para a maturação do sistema nervoso
central. Caso determinados instrumentos não sejam adquiridos/desenvolvidos em
tempo hábil, há perdas irreparáveis. Então, a presença de um acmpanhamento
adequado poderá inibir o surgimento de uma possível deficiência mental
(VASCONCELLOS, 1996).
Ainda
segundo Vasconcellos (1996, p.51),
[...] apesar da
interrupção, a cognição não é afetada completamente. A criança mantém
preservadas “ilhas de inteligência”. Algumas dessas crianças lêem e escrevem,
sabem fazer contas, [...], mas são ‘habilidades’ cognitivas desconectadas do
afeto. São ‘conhecimentos’ que não fazem laço social, não têm a função de
comunicar-se ou de responder à demanda de alguém. Lêem simplesmente, sem que
isso faça laço com nada.
Nesse sentido,
Kupfer e Petri (2000) alertam-nos que as crianças psicóticas aprendem muitas
vezes mais do que supõe a Pedagogia. Porém, a escola nem sempre consegue
visualizar esse crescimento, dado o fato de preocupar-se, na maior parte do
tempo, somente com as questões da leitura e da escrita.
E acrescentam:
[...] as
crianças psicóticas e autistas possuem ilhas de inteligência preservadas, que
podem desaparecer caso não as ajudemos a lhes dar sentido. Podem – por falta de
sentido, de direção, porque não são utilizadas para enlaçá-las no Outro –
desaparecer, ou se transformar em estereotipias. Assim, a freqüência à escola
acaba sendo um instrumento crucial, se não de crescimento, ao menos de
conservação das capacidades cognitivas já adquiridas (KUPFER e PETRI 2000, p.
116).
Isto nos leva a afirmar o valor que a escola pode
adquirir para essas crianças. Mais ainda, em função de que o tratamento de
psicose infantil precisa estar ancorado no estabelecimento do laço social, a
escola entra como um dos possíveis veículos de socialização (ibidem).
Antes, se
pensava na impossibilidade deste feito. Nos dias atuais, aventa-se sobre as
possibilidades desse enlace e circulação escolar/social, baseando-se nas
experiências der sucesso que se tem notícia. Exemplo disto nos é dado pelos
casos relatados através da assessoria do Grupo Ponte, da Pré-Escola Terapêutica
Lugar de Vida (USP), que tem como objetivo viabilizar a inclusão de crianças
como as que tratamos aqui. Sem falar que as crianças com quadros psicóticos,
incluídas em escolas regulares e que contam com atendimento terapêutico em
paralelo, costumam demonstrar maior estabilidade emocional e uma mudança de
postura em relação ao outro (LERNER 2001; JERUSALINSKY, 1997).
Até porque a
escola é lugar de trânsito, onde circula a normalidade social. É lugar de
menino e de menina. Freqüentá-la, então, dá um outro lugar no social e no
familiar – o do reconhecimento. Como conseguinte, torna-se um espaço
terapêutico, pois aumenta a auto-estima, assegura a circulação e o
reconhecimento social, como também permite o acesso aos elementos da cultura,
aspectos comumente ausentes na vida dessas pessoas (JERUSALINSKY, 1997; KUPFER,
1997).
Saimonton
Tinôco da Silva
PPGEd/UFRN